segunda-feira, 21 de julho de 2008

Câmara vai investigar denúncia de Protógenes sobre suposta obstrução à investigação

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara vai investigar a suposta obstrução da Polícia Federal aos trabalhos do delegado Protógenes Queiroz, afastado do comando da Operação Satiagraha na última sexta-feira. O presidente da comissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse nesta segunda-feira que será "inevitável" a investigação do caso mesmo com a decisão do Ministério Público Federal de São Paulo de apurar a denúncia de obstrução.

"Há pessoas na comissão que são da área da Polícia Federal, é previsível que a comissão se debruce sobre esse tema. Não para substituir o Ministério Público, mas para complementar o seu trabalho", afirmou Jungmann à Folha Online.

O deputado disse esperar que integrantes da comissão apresentem requerimentos de convites para o depoimento de Protógenes e diretores da Polícia Federal, além do ministro Tarso Genro (Justiça). A comissão já solicitou ao Ministério da Justiça cópia da íntegra do áudio da reunião entre a cúpula da PF em que foi decidida a saída de Protógenes.

A Polícia Federal divulgou quatro minutos do áudio captado na reunião, mas a sua duração foi de quase quatro horas. Nos trechos divulgados, não há qualquer menção à denúncia de que Protógenes deixou o caso após ser pressionado pela cúpula da PF. O delegado, no entanto, encaminhou denúncia ao Ministério Público de São Paulo na última sexta-feira para denunciar a obstrução da própria PF ao seu trabalho.

Oficialmente, a justificativa para a necessidade de haver uma seleção dos trechos da gravação é porque a reunião, realizada na Polícia Federal, tratou de uma série de temas --inclusive alguns considerados sigilosos pelo governo.

Porém, os trechos que interessam para divulgação são os que dizem respeito diretamente ao fato de Protógenes dar a entender que deixaria as investigações para fazer um curso de reciclagem na academia de polícia, que teve início nesta segunda-feira, em Brasília.

Na representação encaminhada ao Ministério Público, Protógenes reclama que foi prejudicado pela falta de recursos humanos e materiais para a condução das investigações.

Segundo reportagem da Folha, o delegado foi "convidado" pela direção-geral da PF a se afastar das investigações por causa de supostos excessos cometidos durante a operação.

Investigações

Assim como a Comissão de Segurança, a CPI das Escutas Clandestinas da Câmara também vai investigar se houve obstrução aos trabalhos de Protógenes conduzida pela própria Polícia Federal. Integrantes da CPI querem ter acesso à íntegra da gravação da reunião em que o delegado comunica o seu afastamento da Operação Satiagraha.

Os parlamentares questionam a versão divulgada pela PF de que Protógenes pediu para deixar o caso porque vai dar início a um curso superior presencial da instituição.

"É a primeira vez que divulgam parte da reunião de trabalho da Polícia Federal para dar a idéia de que o delegado pediu para sair. Mas o delegado argumenta que houve adulteração na gravação. Isso é grave", disse à Folha Online o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR)

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